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21/01/2010
Iquego e Butantan discutem produção conjunta da vacina contra a Gripe A
O presidente da Indústria Química do Estado de Goiás S/A (Iquego), Pedro Canedo, vai hoje, 21, a São Paulo, onde encontra-se com os dirigentes do Instituto Butantan, a partir das 14h, para discutir a produção conjunta da vacina contra a influenza A.
Canedo colocou a Iquego à disposição do centro de pesquisas paulista para integrar a rede de laboratórios que estão aptos a produzir as doses da vacina contra a Gripe A, na última visita que fez ao Butantan, na primeira semana deste ano.
Se o acordo for fechado, Goiás já deverá ter prontas as doses do antídoto contra o vírus H1N1 a partir de maio, tão logo o Instituto Butantan transfira a tecnologia de fabricação da vacina e forneça as cepas virais.
Outro assunto constante da pauta da reunião será a provável elevação no fornecimento de plasma hiperimune para o Instituto Butantan, que absorve toda a produção da Iquego.
O plasma é a matéria-prima para a fabricação dos soros antiofídico botrópico e crotálico, usados contra os venenos da jararaca e da cascavel, respectivamente e também do soro antirrábico. Atualmente, o Butantan exporta os soros antiofídicos para países onde ocorrem as mesmas serpentes encontradas em território brasileiro, como Colômbia, Suriname, Marrocos e Equador, além de suprir a demanda interna pelo antídoto.
Já o soro antirrábico é exportado para países africanos e para a Índia, onde a incidência de raiva tem chamado a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS). A Iquego é, hoje, a maior produtora de plasma da América Latina.
Gripe A
Para que a Iquego venha a fabricar a vacina contra a Influenza A, basta que o Instituto Butantan, antigo parceiro do laboratório goiano, aceite a oferta feita no início do ano pela empresa goiana.
O próximo passo é a transferência da tecnologia e o fornecimento das cepas virais, que resultarão na vacina. Na reunião de hoje deverão ser discutidos, além de aspectos técnicos, a quantidade de doses, o prazo para o início da fabricação, a quantidade de profissionais envolvidos e ainda a logística para a distribuição das vacinas por todo o território nacional.
Essa logística deve ser facilitada se a remessa das doses for feita a partir de Goiás, devido à sua posição geográfica, praticamente equidistante de todos os estados do País.
O governo brasileiro importou da França as doses da vacina para que a Instituto Butantan possa fabricá-la. De início, a previsão é de que sejam produzidas 83 milhões de doses, para atender à demanda por imunização de boa parte da população, já que com a chegada do outono e do inverno as pessoas ficam mais suscetíveis de contrair a Gripe A, pois é no frio que o vírus encontra condições ideais para se proliferar.
Caso as negociações entre Butantan e Iquego prosperem, será mais um importante passo dado pelo laboratório oficial goiano em direção ao cumprimento de sua missão social, que é atender às demandas da população por medicamentos de qualidade e de baixo custo. Foi o que aconteceu em setembro do ano passado, durante o surto da Gripe A que acometeu Goiás.
Na ocasião, a Iquego foi um dos quatro laboratórios oficiais a produzir o fosfato de oseltamivir (similar do Tamiflu), único medicamento eficiente conhecido pela ciência para o tratamento da doença. Naquele mês e em outubro, a Iquego disponibilizou à Secretaria Estadual de Saúde (SES) quase 4 mil doses do medicamento, que foi distribuído gratuitamente na rede pública de saúde, uma iniciativa fundamental para conter o número de óbitos decorrentes da doença. (Adalberto Araújo)